quarta-feira, 19 de junho de 2013

Marcadores discursivos

     Unidades linguísticas invariáveis que não desempenham uma função sintáctica no âmbito da frase, mas que têm uma função relevante na produção dos textos, estabelecendo conexões entre os enunciados, organizando-os em blocos, indicando o seu sentido argumentativo, introduzindo novos temas, mantendo e orientando o contacto do locutor com o interlocutor. Os marcadores discursivos podem subdividir-se em: 
  • Reformuladores (função de explicação e de retificação): ou seja, por outras palavras, dizendo melhor, ou antes, etc.
  • Estruturadores da informação (função de ordenação): em primeiro lugar, por outro lado, por último, etc.
  • Conectores (função de estabelecer  uma relação semântica e pragmática entre os membros da cadeia discursiva)conjunções
  • Operadores discursivos (função de reforço argumentativo e de concretização): de facto, na realidade, por exemplo, mais concretamente, etc.
  • Marcadores conversacionais ou fáticos ouve, olha, presta atenção, homem, etc.

sábado, 8 de junho de 2013

Verbos abundantes (na forma do particípio passado)

O João tem aceite ou tem aceitado todas as críticas?
  • a forma regular, "aceitado" é a preferencial com os auxiliares ter haver.
  • a forma irregular "aceite" é a preferencial com os auxiliares ser e estar;
Esclareça todas as dúvidas aqui.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ricardo Reis

Ricardo Reis (heterónimo de Fernando Pessoa) oferece-nos uma filosofia de vida influenciada pelo epicurismo, (a procura do prazer moderado - a única forma de prazer que pode perdurar -, pelo estoicismo (a possibilidade da felicidade está em viver em conformidade com as leis do destino) e pelo “carpe diem” (aproveita o dia) do poeta romano Horácio.
A questão primordial do sofrimento e da morte encontra resposta na atitude do heterónimo pessoano que:
  1. Evita as ciladas da Fortuna, presentes nos instintos fortes e nas paixões que prendem o Homem ao transitório, mergulhando-o no sofrimento (para os epicuristas o verdadeiro bem não é o prazer violento, mas o estável, isto é, o que tende para a ausência de dor e de perturbação). 
  2. Procura, como os epicuristas, o repouso e a ataraxia (ausência de perturbação).
  3. Goza em profundidade o momento presente (carpe diem de Horácio): «Vive com sensatez destilando o teu vinho / e, como a vida é breve, encurta a longa esp'rança»; « trata, pois, de colher o dia de hoje, / que nunca o de amanhã merece confiança».
  4. Aceita, como os estóicos, voluntariamente um destino involuntário; neste sentido, a liberdade não é outra coisa que não seja o conformar-se com a ordem natural das coisas, com o Destino: «Só esta liberdade nos concedem / Os deuses: submetermo-nos / Ao seu domínio por vontade nossa».
  5. Valoriza, como os estóicos, o poder da razão, em detrimento da emoção, merecedora de indiferença.
Manual Ser em Português 12.º Ano, Areal Editores, Junho de 2000. 

Apesar da procura do prazer e da felicidade, Reis considera que nunca se consegue a verdadeira calma e tranquilidade, ou seja, a ataraxia (a tranquilidade sem qualquer perturbação). Sente que tem de viver em conformidade com as leis do destino, indiferente à dor e ao desprazer, numa verdadeira ilusão da felicidade, conseguida pelo esforço estóico disciplinado.
Ricardo Reis é, portanto, o poeta clássico, da serenidade epicurista, que aceita estoicamente, com calma lucidez (através do permanente exercício da racionalidade), a relatividade e a fugacidade de todas as coisas.

Epicurismo (Fundado por Epicuro – séc. III A. C.)

O epicurismo defende o prazer como caminho da felicidade. Mas para que a satisfação dos desejos (o prazer) seja estável, sem desprazer ou dor, é necessário um estado de ataraxia, ou seja, de tranquilidade sem qualquer perturbação.

Ideias fundamentais:

  • Filosofia que se destina a dar tranquilidade às pessoas.
  • Defesa do prazer como um bem, mas de um prazer moderado; virtude significa prudência na busca do prazer.
  • Devem procurar-se os prazeres tranquilos e não as alegrias violentas.
  • Recusa do amor porque implica sofrimento – a amizade é o melhor prazer social.
  • Busca da ataraxia – estado tranquilo e pacífico da alma, livrando-se das paixões e agitações.

Estoicismo (Fundado por Zenão – séc. III A. C.)

O estoicismo é uma corrente filosófica que considera ser possível encontrar a felicidade desde que se viva em conformidade com as leis do destino que regem o mundo, permanecendo indiferente aos males e às paixões, que são perturbações da razão (indiferença e renúncia a todos os bens do mundo). O ideal ético é a apatia, que se define como ausência de paixão e permite a liberdade, mesmo sendo escravo (tensão e esforço para chegar à virtude - “Suporta e abstém-te").

Ideias fundamentais:

  • Crença na conclusão de um ciclo (através do fogo), que seria substituído por outro (a repetição cíclica era indefinida).
  • Deus é a alma do mundo e cada um de nós contém parte do fogo divino.
  • A vida individual deve estar de acordo com as leis da natureza (a virtude significa viver de acordo com as leis cósmicas).
  • Devemos desprezar as paixões, porque conduzem ao sofrimento.
  • Aceitação calma da ordem das coisas.